China condena bilionário chinês a 18 anos de prisão após críticas a Xi Jinping

Ren Zhiqiang é acusado de operar supostos esquemas fraudulentos; na China, taxa de condenação é de 99%
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Um tribunal da China condenou nesta terça (22) o bilionário e magnata do mercado imobiliário, Ren Zhiqiang, a 18 anos de prisão. Acusado de atuar em esquemas de corrupção, há suspeita de que a condenação seja um resultado das críticas de Ren ao governo de Xi Jinping, afirmou a CNN.

Em março, Ren publicou um artigo em que criticava a gestão de Xi durante pandemia da Covid-19. Desaparecido desde então, o empresário reapareceu em um tribunal de Beijing.

As autoridades afirmam que Ren “confessou voluntariamente” crimes como desvio de dinheiro em fundos públicos, suborno e abuso de poder. Além dos 18 anos de prisão, Ren também deve pagar uma multa de US$ 620 mil (4,2 milhões de yuans).

Conhecido por sua postura dissidente, Ren vem de família tradicional da elite chinesa e já havia sido punido em 2016 por questionar a deferência da mídia estatal a Xi.

China condena bilionário chinês a 18 anos de prisão após críticas a Xi Jinping
O magnata do mercado imobiliário, Ren Zhiqiang, durante a Conferência Anual de Economia da empresa Netease, em Beijing, em dezembro de 2013 (Foto: Netease)

Judiciário chinês

Na China, a taxa de condenação no sistema judiciário alcança 99%. Com definições vagas, os agentes do Estado utilizam os chamados ‘crimes de segurança nacional’ para perseguir dissidentes e jornalistas na China, disseram observadores jurídicos à CNN.

Um exemplo é o vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 2010, Liu Xiaobo, condenado a 11 anos de prisão por “incitar a subversão do poder estatal”. Antes de ser preso, Liu lançou críticas e ajudou a escrever um manifesto pela democracia e reforma política na China.

Liderado exclusivamente pelo Partido Comunista, o Judiciário é, antes de tudo, um órgão político, disse o presidente do tribunal de Justiça chinês, Zhou Qiang. Não há qualquer independência entre os poderes.

“Embora, na teoria, as autoridades obedeçam às leis chinesas, elas raramente respondem aos tribunais e estão sob o controle do Partido Comunista”, disse o advogado de direitos humanos Teng Biao, que hoje mora nos Estados Unidos à, CNN.

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