África

Em cúpula, BRICS discute reformas e ‘papel relevante’ de emergentes na ONU

Para Índia e Brasil, OMS e OMC estão “descolados da realidade” enquanto Rússia e China pediram apoio à ONU

A revisão da OMS (Organização Mundial da Saúde) e a inclusão do Brasil no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) figuraram entre os temas da cúpula do BRICS nesta terça (17).

Reunidos por vídeo, representantes do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul discutiram as bases do multilateralismo que ensejou a criação do grupo e formas de engajar uma “estabilidade global” a partir da crise deixada pela Covid-19 em todo o mundo.

No encontro presidido por Moscou, o grupo se manifestou pela primeira vez sobre a reforma da OMS. Os governos da Índia e do Brasil questionaram a atuação do órgão, puxados por iniciativas do presidente norte-americano Donald Trump.

Em cúpula, BRICS discute reformas na OMS e Brasil no Conselho de Segurança da ONU
Bandeiras hasteadas durante a cúpula do BRICS em Fortaleza, Brasil, em novembro de 2019 (Foto: Agência Brasil/Marcelo Camargo)

“Existem órgãos, como a OMS, que não refletem o presente. Uma reforma é urgente”, disse o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em registro do jornal indiano “Economic Times”.

O chefe de Estado indiano também citou a OMC (Organização Mundial do Comércio) e o FMI (Fundo Monetário Internacional) como instituições “descoladas da realidade”.

ONU e cooperação

Já o jornal chinês Global Times, de linha editorial oficialista, afirmou na edição de hoje que Beijing e Moscou foram “lideranças” na cúpula, na defesa do “multilateralismo e da cooperação contra a Covid-19”.

Na declaração de Moscou sobre o BRICS, o grupo reconhece os desafios da cooperação internacional e promete atuar para fortalecer o sistema ONU. A medida, no entanto, é compartilhada com maior entusiasmo por Rússia e China, que têm ampliado a parceria desde o início da pandemia.

Já a inclusão do Brasil como membro no Conselho de Segurança da ONU –demanda histórica da diplomacia brasileira – não recebeu apoio público de todos os países do BRICS.

A China, membro permanente da cúpula, pressionou -pela remoção de trecho do comunicado sobre a tentativa de Brasília de solicitar “papel mais relevante” na ONU e que seria apoiada pelo país e pela Rússia, segundo o jornal “Folha de S.Paulo“.

O trecho removido seria um endosso de China e Rússia sobre a importância “conferem ao status e ao papel de Brasil, Índia e África do Sul nas relações internacionais e apoiam a aspiração de desempenharem papéis mais relevantes na ONU”, de acordo com o jornal.

Uma reestruturação do órgão em sua próxima gestão, que começa em 2022, abriria caminho para uma eventual demanda indiana de “maior representação”. A China quer evitar a entrada de Nova Délhi no Conselho.

No encontro, o presidente russo Vladimir Putin elogiou a cooperação iniciada em 2009. A iniciativa, criada na esteira da Crise de 2008, representava uma tentativa de multilateralismo proativo dos países emergentes, vistos à época como potências regionais.

Juntos, os cinco países do BRICS somam mais de 3,6 bilhões de pessoas – metade da população mundial. O grupo representa 25% do PIB (Produto Interno Bruto) global.