Ataque a petroleiro na Árabia Saudita aponta aumento de tensão com Irã

Não houve reivindicação do ataque, mas governo saudita atribui atentado a houthis iemenitas ligados a Teerã
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O ataque de uma embarcação com explosivos a um petroleiro de Singapura ancorado na cidade saudita de Jidá, na segunda (14), abre mais um capítulo da tensão entre o Irã e Arábia Saudita.

Os 22 tripulantes do petroleiro – incluindo cidadãos de Filipinas, Índia, China e Romênia – conseguiram conter o incêndio e saíram ilesos, afirmou a empresa mantenedora da frota. Há risco de vazamento de óleo.

Apesar de nenhum grupo ter reivindicado o ataque, políticos do reino saudita já acusam a ação como “terrorista”. Segundo Riad, é provável que rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, tenham orquestrado o atentado.

As alegações alavancam ainda mais a tensão no Oriente Médio desde a morte de um dos principais cientistas nucleares da república islâmica, Mohsen Fakhrizadeh, em 27 de novembro.

Ataque a petroleiro na Árabia Saudita aponta para aumento de tensão com Irã
Embarcação norueguesa no porto da cidade saudita de Jeddah, em junho de 2019 (Foto: WikiCommons/Bahnfrend)

O governo iraniano luta ao lado dos houthis contra a coalizão militar liderada pelos sauditas em uma guerra civil desde 2014. Apesar do Irã negar o envolvimento no ataque ao afirmar que “não controla” os houthis, a manobra gera preocupação.

Especialistas apontam que a escolha da arma e do alvo – a pouco mais de 1,1 quilômetro de distância – indica um “papel iraniano” no ataque, ainda que a ação tenha sido dos houthis.

“É uma mensagem sutil para os EUA”, disse o diretor do Center for Global Policy, Kamran Bokhari. “Demonstra que os iranianos têm poder para se projetar não apenas no Estreito de Ormuz, mas também no outro lado da Arábia Saudita”.

Respostas e contra-ataques

O ataque também seria uma resposta à pressão pública sobre o governo iraniano após a morte de Fakhrizadeh e do major-general Qassem Soleimani. O comandante foi morto em um ataque de drones norte-americanos em janeiro.

A atmosfera no Oriente Médio se tornou mais nebulosa desde as rodadas de negociação dos EUA à restauração de relações dos países arábes com Israel. Em troca, Washington oferece recursos militares – e aumenta o isolamento do Irã desde a retirada unilateral do acordo nuclear, em 2018.

Aliados aos EUA, os sauditas fecharam o porto de Jeddah por tempo indeterminado. O reino já trabalha com cautela redobrada desde o incidente, disseram autoridades ao norte-americano “The Wall Street Journal”.

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