Governo das Filipinas anuncia a morte de sete terroristas do EI em operação militar

Operação contou com jatos e tropas do exército filipino, que atacaram um acampamento onde estavam cerca de 60 extremistas
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As forças de segurança das Filipinas anunciaram a morte de sete insurgentes islâmicos do Daulah Islamiyah, grupo extremista ligado ao Estado Islâmico (EI). As mortes ocorreram em uma operação de contraterrorismo realizada no sul do país, na qual também foram recuperadas armas pesadas, bombas e minas terrestres, de acordo com o site Arab News.

A operação contou com jatos e tropas do exército filipino, que atacaram um acampamento onde estavam cerca de 60 extremistas. Os militares não souberam informar se entre os combatentes atacados estava Abu Zacariah, recentemente nomeado líder da facção do EI no Sudeste Asiático.

Segundo o governo filipino, duas facções do Daulah Islamiyah teriam se fundido em janeiro, sendo responsabilizadas por ataques a torres de transmissão de energia na região onde estavam acampados. Desde então, o exército vinha preparando uma grande operação para atacar os extremistas.

Soldado da polícia das Filipinas em treinamento junto do exército dos EUA em Puerto Princesa, agosto de 2014 (Foto: U.S. Army/Christopher Hubenthal)

O Daulah Islamiya é um de uma série de pequenos grupos extremistas ligados ao EI. Em 2014, rejeitou uma proposta de paz feita pelo governo filipino que foi aceita pelo grupo jihadista Frente Moro de Libertação Nacional (FMLN). Em troca do fim dos ataques, os separatistas da FMLN tornaram-se gestores de uma região autônoma no sul do país, onde vive a minoria muçulmana filipina, país de maioria católica.

“As tropas estavam prontas para atacar, mas avaliaram que seria difícil invadir o acampamento, que estava protegido por armas pesadas”, disse o Brigadeiro General José Maria Cuerpo II. Dessa forma, os militares optaram por um ataque aéreo antes da ação por terra. Após o ataque, os insurgentes fugiram em diferentes direções e forma perseguidos.

Ao comentar a operação, o governo negou que durante o ataque tenha se deparado com integrantes da Frente Moro. “Gostaríamos de assegurar aos nossos parceiros no FMLN que respeitamos o acordo de paz”, disse o porta-voz militar coronel Ramon Zagala. “Estamos no caminho certo e estamos mirando apenas os comprometedores da paz”.

Por que isso importa?

Nos últimos anos, o EI se enfraqueceu financeira e militarmente. Em 2017, o exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células adormecidas que lançam ataques esporádicos, quase sempre focados em agentes do governo. Já as FDS (Forças Democráticas Sírias), uma milícia curda apoiada pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pela organização extremista na Síria.

Em janeiro deste ano, o grupo sofreu mais um duro golpe quando o exército norte-americano anunciou ter matado Amir Muhammad Sa’id Abdal-Rahman al-Mawla, principal líder da facção. Durante uma operação antiterrorismo dos EUA na Síria, ele explodiu uma bomba que carregava junto ao corpo, matando também mulheres e crianças que o acompanhavam. O evento foi semelhante a outro, em 2019, que terminou com a morte do líder anterior da organização extremista, Abu Bakr al-Baghdadi.

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) publicado em fevereiro de 2022, as perdas territoriais e de pessoal transformaram o EI, que antes controlava boas partes da Síria e do Iraque, em “uma insurgência principalmente rural, resistindo à pressão antiterrorista sustentada pelas forças da região”.

A pandemia também continua a ser um desafio, pois impede as “viagens transfronteiriças, diminuindo as ameaças decorrentes de fluxos de combatentes em zonas de conflito e viagens terroristas mais amplas em zonas de não conflito”. Por outro lado, a estagnação do terrorismo em meio à onda de Covid-19 aumenta as “oportunidades de recrutamento e radicalização online”, criando a perspectiva de uma retomada futura das ações extremistas globais.

Outro risco que o grupo oferece é a presença de milhares de ex-combatentes em prisões e campos de deslocados em várias partes do mundo. Devolvê-los a seus países de origem e processá-los judicialmente é um desafio para os Estados-Membros da ONU, e os estabelecimentos que abrigam os extremistas são um potencial alvo de ataques para o EI. Exatamente como ocorreu na prisão de Ghwayran, na cidade de al-Hasakah, na Síria, invadida pelo grupo com a meta de libertar seguidores.

“Devido à capacidade severamente degradada, a sobrevivência futura do EI depende de sua capacidade de reabastecer as fileiras por meio de tentativas mal concebidas, como o ataque a Hasakah”, afirmou o major-general norte-americano John W. Brennan Jr., comandante da força de coalização liderada pelos EUA para combater o EI. Segundo ele, a ação na prisão síria gerou enorme prejuízo ao grupo terrorista, que “sentenciou à morte muitos dos seus que participaram deste ataque”.

Atualmente, o principal reduto do EI é o continente africano, onde consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de grupos afiliados regionais. A expansão do grupo em muitas regiões da África desde o início de 2021 é alarmante e pode marcar sua retomada de força. No Sudeste Asiático, ao contrário, os países da região têm obtido sucesso significativo em interromper o terrorismo de facções afiliadas.

No Brasil

Casos mostram que o Brasil é um porto seguro para extremistas. Em dezembro de 2013, levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram.

Mais recentemente, em dezembro de 2021, três cidadãos estrangeiros que vivem no Brasil foram adicionados à lista de sanções do Tesouro Norte-americano. Eles são acusados de contribuir para o financiamento da Al-Qaeda, tendo inclusive mantido contato com figuras importantes do grupo terrorista.

Para o tenente-coronel do Exército Brasileiro André Soares, ex-agente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o anúncio do Tesouro causa “preocupação enorme”, vez que confirma a presença do país no mapa das organizações terroristas islâmicas.

“A possibilidade de atentados terroristas em solo brasileiro, perpetrados não apenas por grupos extremistas islâmicos, mas também pelo terrorismo internacional, é real”, diz Soares, mestre em operações militares e autor do livro “Ex-Agente Abre a Caixa-Preta da Abin” (editora Escrituras). “O Estado e a sociedade brasileira estão completamente vulneráveis a atentados terroristas internacionais e inclusive domésticos, exatamente em razão da total disfuncionalidade e do colapso da atual estrutura de Inteligência de Estado vigente no país”. Saiba mais.

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