Dois anos após a assinatura de um tratado de defesa mútua, Rússia e Coreia do Norte aprofundaram uma parceria que vem trazendo benefícios significativos para ambos os regimes. O acordo, firmado em 19 de junho de 2024 pelos líderes Vladimir Putin e Kim Jong-un, fortaleceu a cooperação militar, econômica e diplomática entre Moscou e Pyongyang em meio à guerra na Ucrânia. As informações são do Kyiv Independent.
O Tratado de Parceria Estratégica Abrangente estabelece que os dois países devem se apoiar mutuamente em caso de agressão externa. Desde então, a relação se transformou em uma das mais importantes alianças internacionais para a Rússia, enquanto a Coreia do Norte obteve acesso a recursos financeiros, tecnologia e maior projeção internacional.

Apoio militar reforça ofensiva russa
Segundo autoridades ucranianas e analistas internacionais, a Coreia do Norte desempenhou um papel relevante no esforço de guerra russo. Estimativas apontam que até 40% das munições utilizadas pelas forças de Moscou em determinados períodos do conflito tiveram origem norte-coreana.
Investigações independentes indicam que milhões de projéteis de artilharia foram enviados da Coreia do Norte para a Rússia nos últimos anos. Além disso, Pyongyang forneceu mísseis balísticos KN-23, utilizados em ataques contra alvos ucranianos.
Especialistas afirmam que o fornecimento ajudou Moscou a manter o ritmo das operações militares, compensando limitações impostas pelas sanções internacionais e pelo elevado consumo de armamentos no conflito.
Tropas norte-coreanas participaram da guerra
Outro aspecto marcante da parceria foi o envio de militares norte-coreanos para atuar ao lado das tropas russas. Estimativas apontam que entre 14 mil e 15 mil soldados foram deslocados para a região de Kursk a partir do final de 2024.
As forças participaram de operações para recuperar territórios ocupados pela Ucrânia. Autoridades sul-coreanas calculam que cerca de 6 mil militares norte-coreanos tenham sido mortos ou feridos durante os combates.
Analistas observam que a presença desses soldados permitiu à Rússia reduzir o impacto das perdas entre seus próprios militares e adiar novas mobilizações em larga escala.
Ganhos bilionários para Pyongyang
Para a Coreia do Norte, a parceria trouxe retornos financeiros considerados históricos. Um relatório divulgado pelo Instituto de Estratégia de Segurança Nacional da Coreia do Sul estimou que Pyongyang arrecadou entre US$ 7,7 bilhões e US$ 14,4 bilhões com a cooperação militar entre agosto de 2023 e o final de 2025.
Grande parte desse valor veio da venda de armas e munições para a Rússia. O montante é próximo ao tamanho da economia anual norte-coreana, evidenciando o impacto econômico da parceria.
Além dos recursos financeiros, a Coreia do Norte recebeu alimentos, combustível e apoio tecnológico para programas de satélites, mísseis, defesa aérea e submarinos.
Kim ganha projeção internacional
A aproximação com Moscou também contribuiu para reduzir parte do isolamento diplomático de Pyongyang. Em setembro de 2025, Kim Jong-un apareceu ao lado de Vladimir Putin e do presidente chinês Xi Jinping durante um desfile militar em Beijing, em uma imagem considerada simbólica da nova posição internacional do líder norte-coreano.
Especialistas avaliam que a Rússia também ajudou a enfraquecer mecanismos internacionais de monitoramento das sanções impostas à Coreia do Norte, ampliando a margem de manobra do regime.
Futuro da aliança ainda é incerto
Apesar dos ganhos obtidos pelos dois governos, analistas acreditam que a longevidade da parceria dependerá do desenrolar da guerra na Ucrânia.
Atualmente, Moscou necessita de munições e mão de obra, enquanto Pyongyang busca recursos financeiros, tecnologia e proteção diplomática. Com o eventual fim do conflito, parte desses interesses pode perder força.