Américas

Simpatizante do Estado Islâmico confessa assassinato de mulher em Toronto

Saad Akhtar disse que escolheu a vítima aleatoriamente e que cometeu o crime em nome do grupo terrorista, a quem pretendia jurar lealdade

Um simpatizante do Estado Islâmico (EI) confessou, nesta quinta-feira (26), ter assassinado uma mulher com um martelo em Toronto, no Canadá, em fevereiro de 2020. Saad Akhtar, de 32 anos, disse ter cometido o crime em nome do grupo terrorista, de acordo com a rede canadense Global News.

No dia do crime, Akhtar saiu de casa pela manhã carregando dois bilhetes que o conectavam ao grupo terrorista. A vítima, Annie Hang-Kam Chiu, teria sido escolhida aleatoriamente, porque “estava sozinha, parecia indefesa e tinha a altura apropriada para os golpes com o martelo”. O homem foi julgado por assassinato e terrorismo e condenado à prisão perpétua.

A polícia encontrou, ao lado do corpo, um bilhete com um slogan do grupo jihadista, “Estado Islâmico baqiyah“. Na mochila do assassino havia uma segunda nota, com a mensagem “Isso é pelo Estado Islâmico e todos os crimes contra os muçulmanos. Deus é grande!”.

Simpatizante do Estado Islâmico confessa assassinato de mulher em Toronto
Annie Hang-Kam Chiufoi morta por simpatizante do Estado Islâmico em Toronto, no Canadá (Foto: reprodução/redes sociais)

O homem, que pretendia cometer outros crimes, mudou de ideia posteriormente e se entregou à polícia na mesma noite. A arma do crime foi encontrada em um ponto de ônibus.

O computador de Akhtar foi periciado, e as autoridades notaram que ele fez buscas sobre detalhes de um ataque terrorista cometido em Londres, em 2020, além de textos ligados à Al-Qaeda. “Acho que estava apenas navegando online e me deparei com algumas… coisas, que meio que me empurraram na direção de, você sabe, esse tipo de coisas”, disse ele durante o depoimento.

Por que isso importa?

De acordo com um relatório do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), publicado em julho deste ano, a prioridade do EI atualmente é “o reagrupamento e a tentativa de ressurgir” em seus dois principais domínios, Iraque e Síria. O documento sugere, ainda, que o grupo teve considerável perda financeira recentemente, devido a dois fatores: as operações antiterrorismo no mundo e a má gestão de fundos por parte de seus líderes.

Militarmente, o EI também se enfraqueceu. Em 2017, o exército iraquiano anunciou ter derrotado a organização no país, com a retomada de todos os territórios que ela dominava desde 2014. O grupo, que chegou a controlar um terço do Iraque, hoje mantém apenas células adormecidas que lançam ataques esporádicos. Já as Forças Democráticas Sírias (FDS), apoiadas pelos EUA, anunciaram em 2019 o fim do “califado” criado pelos extremistas no país.

Paralelamente à derrocada do EI, a pandemia de Covid-19 reduziu o número de ataques terroristas em regiões sem conflito, devido a fatores como a redução do número de pessoas em áreas públicas. Entretanto, grupos jihadistas têm se fortalecido em zonas de conflito, e isso pode causar um impacto na segurança global conforme as regras de restrição à circulação são afrouxadas.

Esse cenário permitiu ao EI, particularmente, ganhar uma sobrevida, fazendo uso sobretudo do poder da internet. À medida em que as restrições relacionadas à pandemia diminuem gradualmente, há uma elevada ameaça de curto prazo de ataques inspirados no grupo fora das zonas de conflito. São ações empreendidas por atores solitários ou pequenos grupos que foram radicalizados e incitados através da internet.

Atualmente, o principal reduto do EI é o continente africano, onde consegue se manter relevante graças ao recrutamento online e à ação de grupos afiliados regionais, como o Boko Haram, da Nigéria. A expansão do grupo em muitas regiões da África desde o início de 2021 é alarmante e pode marcar a retomada de força da organização.

No Brasil

Casos mostram que o país é um “porto seguro” para extremistas. Em dezembro de 2013, um levantamento do site The Brazil Business indicava a presença de ao menos sete organizações terroristas no Brasil: Al Qaeda, Jihad Media Battalion, Hezbollah, Hamas, Jihad Islâmica, Al-Gama’a Al-Islamiyya e Grupo Combatente Islâmico Marroquino.

Em 2001, uma investigação da revista VEJA mostrou que 20 membros terroristas de Al-Qaeda, Hamas e Hezbollah viviam no país, disseminando propaganda terrorista, coletando dinheiro, recrutando novos membros e planejando atos violentos.

Em 2016, duas semanas antes do início dos Jogos Olímpicos no Rio, a PF prendeu um grupo jihadista islâmico que planejava atentados semelhantes aos dos Jogos de Munique em 1972. Dez suspeitos de serem aliados ao Estado Islâmico foram presos e dois fugiram. Saiba mais.