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China promete ‘medidas severas’ caso EUA usem nome Taiwan em escritório comercial

A simples possibilidade de a mudança ser aprovada irritou a China, que trata a ilha como parte do seu território

O governo da China manifestou sua irritação com a possibilidade de os Estados Unidos permitirem a alteração do nome de uma agência de Taiwan em Washington, segundo o site The Defense Post. Se aprovada a mudança, o “Escritório de Representação Econômica e Cultural de Taipei” passaria a se chamar “Escritório de Representação de Taiwan”.

A possibilidade de mudança no nome da agência foi levantada pelo jornal britânico Financial Times e depende de uma ordem executivo a ser assinada pelo presidente Joe Biden. Kurt Campbell, conselheiro da Casa Branca, já teria dado aval à medida.

A simples possibilidade de a mudança ser aprovada irritou a China, que trata Taiwan como parte do seu território. O tabloide estatal chinês Global Times citou como exemplo o caso da Lituânia, que adotou tal medida e levou a uma crise diplomática entre as nações, com seus respectivos embaixadores sendo convocados a retornar a seus países.

“Obviamente, medidas diplomáticas por si só não são suficientes”, diz o Global Times. “Se os EUA e a ilha de Taiwan mudarem os nomes, eles serão suspeitos de tocarem na linha vermelha da Lei Antissecessão da China, e o continente chinês terá que tomar medidas econômicas e militares severas para combater a arrogância dos EUA e da ilha de Taiwan. O continente deveria impor sanções econômicas severas à ilha e até mesmo realizar um bloqueio econômico contra a ilha, dependendo das circunstâncias”.

Da esquerda para direita, bandeiras da China, Taiwan e Hong Kong (Foto: Divulgação/Freepik/Patara)

Zhao Lijian, vice-diretor do Departamento de Informação do Ministério de Relações Exteriores da China, também contestou a mudança. “Os EUA devem respeitar o princípio de “Uma só China” e os três comunicados conjuntos China-EUA. Deve honrar seus compromissos com ações concretas e interromper todas as formas de intercâmbios oficiais e não deve elevar as relações substantivas com Taiwan”.

Lijian disse, ainda, que Biden negou a intenção de aprovar a mudança e que, em contato com o líder chinês Xi Jinping, teria concordado com o princípio de “Uma Só China”. Segundo ele, um movimento como esse enviaria “sinais errados às forças separatistas de independência de Taiwan” e comprometeria “seriamente as relações China-EUA e a paz e estabilidade em todo o Estreito de Taiwan”.

Por que isso importa?

Taiwan é uma questão territorial sensível para os chineses. Relações exteriores que tratem o território como uma nação autônoma estão, no entendimento de Beijing, em desacordo com o princípio defendido de “Uma Só China“, que também encara Hong Kong como território chinês.

Diante da aproximação do governo taiwanês com os Estados Unidos, a China endureceu sua retórica contra as reivindicações de independência da ilha autônoma no ano passado, e as tensões geopolíticas escalam com rapidez na região.

Jatos militares chineses passaram a realizar exercícios militares nas regiões limítrofes com Taiwan, enquanto Beijing deixou claro que não aceitará a independência do território “sem uma guerra”.

embate, porém, pode não terminar em confronto militar, e sim em um bloqueio total da ilha. É o que apontaram relatórios produzidos pelos EUA e por Taiwan em junho, de acordo com o site norte-americano Business Insider.

O documento, lançado pelo governo taiwanês no ano passado, pontua que Beijing não teria capacidade de lançar uma invasão em grande escala contra a ilha. “Uma invasão provavelmente sobrecarregaria as forças armadas chinesas”, concordou o relatório do Pentágono.

Caso ocorresse, a escalada militar criaria um “risco político e militar significativo” para Beijing. Ainda assim, ambos os documentos reconhecem que a China é capaz de bloquear Taiwan com cortes dos tráfegos aéreo e naval e das redes de informação.