Ásia e Pacífico

China prendeu 50 por posts no Twitter, rede bloqueada no país, desde 2018

Usuários foram presos e multados por criticar governo chinês na rede social; expatriados também têm sido punidos

Mais de 50 pessoas foram presas na China desde 2018 por comentários desabonadores ao regime no Twitter, apontou um levantamento do jornal norte-americano “The Wall Street Journal”. Muito usada pelos diplomatas chineses no exterior, a rede social é proibida dentro do país.

Entre os motivos para as prisões estão críticas a líderes regionais e ao Partido Comunista chinês, além de comentários sobre Hong Kong, campos de detenção de Xinjiang e Taiwan – três questões consideradas “muito sensíveis” para a política externa de Beijing.

Os detidos pelos tweets não eram figuras públicas na China. Pelo contrário: muitos somavam algumas centenas de seguidores, enquanto um possuía menos de 30 conexões na rede social.

Beijing prendeu mais de 50 chineses por utilizarem o Twitter desde 2018
Usuário indiano tenta acessar interface do Twitter (Foto: Unsplash/Akshar Dave)

Um dos detidos é Zhou Shaoqing, da cidade portuária de Tianjin, no norte do país. O homem foi preso por criticar o governo chinês e sua política para a contenção da pandemia do novo coronavírus. Um tribunal local o condenou a nove meses de prisão por “prejudicar a ordem social”.

Também há detidos pelo uso da rede social no exterior. Um jovem chinês de 20 anos, aluno da Universidade de Minnesota, nos EUA, foi punido por opiniões no Twitter feitos quando vivia fora de seu país, disse o portal Axios.

O jovem foi condenado a seis meses de prisão em Wuhan, sua cidade natal, ainda em julho de 2019. O motivo foi retratar o senador Ben Sasse, republicano de Nebraska, e o presidente Xi Jinping de formas “nada lisonjeiras”, segundo o jornal.

Os casos indicam que o governo chinês pretende punir cidadãos dentro e fora do país por comentários pessoais críticos ao regime nas redes sociais bloqueadas no território da China.

Multa por VPN

Quem tenta burlar o sistema de bloqueio do governo também sofre consequências, apontou o jornal canadense “The Globe and Mail”.

Uma investigação indicou que a polícia chinesa emite multas a pessoas e empresas que usam VPNs – programas que ocultam a origem da conexão e permitem acesso a conteúdos vetados em um determinado país.

A proibição tem base em uma lei de 1996, que baniu o uso de ferramentas que contornar a censura. Entre os multados estão usuários que buscaram sites estrangeiros para jogos, apostas e pornografia.

Tentativas de entrar em plataformas proibidas como o WhatsApp, Telegram, Twitter, YouTube e Instagram e outras fontes de notícias estrangeiras também geram multa e advertência na China.