Além de Navalny, FBI suspeita de ataques tóxicos a outro opositor de Putin

Opositor russo, Vladimir Kara-Murza sofreu dois ataques repentinos em 2015 e 2017; relatório do FBI possui falhas suspeitas
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Em meio à recuperação de Alexei Navalny, uma investigação com mais de mil páginas do FBI (Departamento Federal de Investigações dos EUA, em inglês) não concluiu se os dois ataques Vladimir Kara-Murza, também opositor ao Kremlin, foram comandados pelo serviço de segurança russo.

Mesmo com o envolvimento de Washington e do diretor do FBI, Christopher Wray, a investigação apresentou falhas e documentos extraviados. A RFE (Radio Free Europe) expôs o material sigiloso do Departamento de Justiça dos EUA no último dia 24 de setembro.

Há expectativa de que as mais de 1,1 mil páginas da investigação sejam entregues nesta quinta (15). Um primeiro lote de 400 páginas já foi liberado a Kara-Murza no dia 21 de setembro, após ação judicial movida em um tribunal dos EUA.

O FBI, no entanto, afirma que, como boa parte dos documentos foram extraviados, há chance de atraso na entrega.

Com falhas em relatório, FBI não conclui sobre ataques tóxicos a Kara-Murza
O opositor russo Vladimir Kara-Murza durante audiência na Comissão de Helsinki, em Washington, em outubro de 2015 (Foto: U.S. Helsinki Commission/Smith Christopher)

“O que eu queria acima de tudo eram os resultados dos testes de laboratório. Mas se o FBI decidisse não divulgar a substância específica, pelo menos pedi a eles que me dessem o motivo geral do envenenamento“, disse Kara-Murza à RFE.

O opositor ao Kremlin afirma que os incidentes foram em retaliação ao seu ativismo político e ao lobby pela Lei Magnitsky dos EUA, que busca impôr sanções aos russos considerados “violadores de direitos”. A legislação foi sancionada em 2012.

Falhas na investigação

A investigação do FBI começou após o primeiro ataque a Kara-Murza, em 2015. Como Navalny, o político adoeceu de forma grave e súbita durante uma reunião em Moscou.

Dois anos depois, em fevereiro de 2017, o opositor apresentou falência múltipla dos órgãos, também na capital russa. À época, o diagnóstico médico definiu que havia a presença de uma “toxina não especificada”.

O relatório parcial aponta uma série de falhas, como a falta de respostas para a perda das amostras coletadas e a omissão dos laboratórios responsáveis pelas análises.

Na primeira vez, o FBI afirmou que não haviam amostras suficientes para identificar se o ataque foi em decorrência de veneno ou não. Nos registros, o órgão de inteligência afirma que o adoecimento estaria ligado ao uso de citalopram – um antidepressivo que Kara-Murza tomava à época.

No segundo ataque, a esposa do político coletou sangue, cabelo e tecido para investigar o que poderia ter motivado o surto. Ao chegar nos EUA, agentes do FBI decretaram custódia sobre as amostras, diz o processo.

As análises bioquímicas afirmaram que a urina de Kara-Murza possuía apenas a suspeita de “níveis elevados de bário”. Na amostra de sangue não havia nenhum resultado positivo para teste toxicológico, apontam os registros.

Como forma de pressionar o FBI, vários parlamentares pediram prioridade na investigação. Sem dar detalhes, no entanto, a agência de inteligência norte-americana negou o acesso dos políticos aos documentos.

A reportagem da RFE levanta suspeita sobre um possível envolvimento do FBI e o Departamento de Justiça dos EUA no caso. As entidades não se manifestaram.

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