No vermelho, Turquia reluta em pedir ajuda ao FMI e pode entrar em moratória

Empréstimo externo pode manchar imagem de ‘independência’ do Ocidente para público local
Share on facebook
Share on twitter
Share on whatsapp
Share on linkedin
Share on email

Mesmo com uma dívida de US$ 169 bilhões que vence no próximo ano, o presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan reluta em pedir um empréstimo ao FMI (Fundo Monetário Internacional) e pode terminar o ano em moratória técnica. 

O país tem cerca de US$ 84 bilhões em reservas internacionais brutas. O valor incluir ouro e ativos de baixa liquidez – ou seja, que não têm disponibilidade imediata. As informações são do jornal britânico “Financial Times”.

O mercado teme um eventual calote turco e já precifica a possibilidade de uma crise de balanço de pagamentos no país. Neste ano, já integram a lista dos países em moratória técnica Líbano e Argentina.

A lira atingiu recorde de desvalorização neste mês, mas recuperou parte de seu valor após intervenções no mercado de câmbio. 

No vermelho, Turquia reluta em pedir ajuda ao FMI e pode entrar em moratória
O presidente da Turquia Recep Tayyip Erdogan (Foto: Presidência da Federação Russa/Divulgação)

Bancos credores, como os nacionais Akbank e Isbank, além do estatal Vakifbank, já aceitaram rolar parte da dívida turca, por meio de refinanciamentos.

Público interno

Para o diário, a retórica anti-FMI de Erdogan é parte da construção de uma imagem pública de um líder forte, independente das potências ocidentais.

Como 70% dos turcos são contra uma composição com o Fundo, Erdogan afirma que a oposição repete “a rendição econômica e política” do passado. Os dados da pesquisa são do Istambul Economics Research.

O problema é que, segundo estimativas do Goldman Sachs, falta no caixa turco cerca de US$ 20 bilhões para fechar o ano.

A meta então tornou-se movimentar setores que geram divisas em moeda forte, como o turismo. Difícil, em um contexto de pandemia global, mesmo com o início do verão no hemisfério norte.

Por outro lado, o governo age para limitar o crescimento do déficit em conta corrente aumentando impostos sobre importados. Os produtos com taxação extra vão de máquinas de lavar a lentes de contato.

Para a maioria dos economistas consultados pelo jornal, será preciso fechar ainda mais o controle sobre o mercado de câmbio turco. Do contrário, o país terá de pedir socorro.

Em 2018, o país viveu uma forte crise cambial e o presidente não pediu ajuda externa. Com a crise global, o auxílio pode se tornar inevitável – cerca de 90 países já pediram ajuda ao Fundo desde o início da pandemia.

Tags: