Drones usados na agricultura em Taiwan são suspeitos de espionar para Beijing

Aeronaves utilizadas por agricultores trariam "ameaças significativas" à cibersegurança, acusa agência taiwanesa
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Drones comerciais de fabricação chinesa podem conter softwares maliciosos que enviam dados de voo e imagens para o governo. A denúncia foi feita por um alto funcionário taiwanês nesta quinta-feira (13) em condição de anonimato. Ele afirma que as aeronaves não tripuladas usadas na agricultura para a pulverização trariam “ameaças significativas” à cibersegurança, informou o jornal Taipei Times.

A fonte se manifestou sobre o assunto após uma declaração da Comissão Nacional de Comunicações (NCC, da sigla em inglês), agência taiwanesa independente criada para regulamentar a indústria da informação, das comunicações e da radiodifusão, que sugere espionagem estatal da China. Segundo a NCC, os smartphones modelos Mi 10T 5G e Mi 10T 5G, da Xiaomi, têm recursos de censura embutidos e capacidade de transmitir dados do usuário direto para servidores em Beijing.

O governo chinês tem acesso irrestrito a dados de usuários privados mantidos por corporações locais, que são obrigadas a cooperar com os esforços de inteligência nacional do país por conta da Lei de Inteligência Nacional da China, contextualizou a fonte.

Empresas chinesas, incluindo a indústria de drones, são obrigadas por lei a auxiliar Beijing em seus esforços de inteligência nacional (Foto: Pixabay/Divulgação)

Taiwan já tomou medidas protetivas quanto a isso. Agências governamentais da ilha semiautônoma determinaram a proibição de dispositivos e softwares fabricados na China por funcionários do governo depois que a presidente Tsai Ing-wen estabeleceu a segurança cibernética como uma prioridade em sua política de segurança nacional.

Além disso, os protocolos de segurança foram reforçados para não permitir que funcionários de médio e alto escalão usem eletrônicos fabricados na China para trabalho ou uso pessoal.

A NCC anunciou que seu Centro de Tecnologia de Telecomunicações testou em outubro de 2021 um modelo vendido em Taiwan, experimento feito após o Centro Nacional de Segurança Cibernética da Lituânia em setembro do mesmo ano alegar ter descoberto as capacidades de censura do dispositivo e potenciais riscos de segurança de dados cibernéticos e pessoais.

A fonte ainda declarou que, embora a Xiaomi tenha negado problemas de segurança em seus produtos, sustentando que os recursos não aparecem em modelos vendidos em Taiwan e na Europa, discurso não está de acordo com a análise independente do NCC, que originou um relatório que levanta preocupações sobre os eletrônicos chineses.

A proibição de dispositivos se aplica apenas a funcionários do governo taiwanês e não a cidadãos da ilha, disse a fonte. Segundo ela, o governo só pode aconselhar o público a não comprar produtos com recursos de segurança suspeitos.

Por que isso importa?

Os softwares fiscais impostos pelo governo da China são infectados por um malware espião, de acordo com alerta das agências de inteligência dos EUA e Alemanha feito em 2020.

Conforme investigadores, o mecanismo permite o acesso backdoor aos aplicativos que o instalam. Na prática, é possível que um programa ou usuário acesse um sistema mesmo sem autorização do proprietário.

O primeiro alerta sobre o malware veio da empresa norte-americana de segurança cibernética Trustwave Holding, em junho daquele ano. Segundo o comunicado, havia um aplicativo espião embutido no software do Intelligent Tax.

Beijing enfrenta constantes acusações sobre espionagem no exterior. Países como Reino Unido, EUA e Austrália lideram a proibição ao uso de equipamentos da gigante chinesa Huawei na implantação nas redes 5G.

Ao mesmo tempo, aplicativos como o TikTok e WeChat já foram bloqueados em diversos países do mundo. O governo chinês nega todas as acusações e diz não ter implantado spywares no sistema fiscal das empresas.

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