Funcionários de ONGs são acusados de abuso sexual na crise do Ebola no Congo

Denúncias vieram de 51 mulheres que atuaram como cozinheiras, faxineiras e auxiliares entre 2018 e 2020
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Homens que se diziam trabalhadores humanitários da OMS (Organização Mundial da Saúde) e outras ONGs envolvidas no combate ao Ebola no Congo teriam cometido abuso sexual contra 51 mulheres entre 2018 e 2020.

As vítimas relataram o abuso ao portal The New Humanitarian, especializado na cobertura de direitos humanos, e à Fundação Thomas Reuters.

A maioria atuava como cozinheira, faxineira e em trabalhos comunitários no atendimento às vítimas do Ebola na cidade de Beni, epicentro do surto no leste do país.

As mulheres afirmam terem sido coagidas e até forçadas a terem relações sexuais com homens que se diziam trabalhadores internacionais. As ameaças e demissões em caso de recusa eram frequentes.

Funcionários de ONGs são acusados de abuso sexual em crise do Ebola no Congo
Mulheres chegam ao Centro de Tratamento contra o Ebola de Beni, no leste do Congo, em janeiro de 2019 (Foto: World Bank/Vincent Tremeau)

De acordo com as vítimas, os agressores as forçavam a ingerir bebidas alcoólicas e as emboscavam em seus escritórios e quartos de hospitais. Pelo menos duas vítimas disseram que engravidaram dos abusadores.

“Não consigo pensar em alguém que trabalhou na resposta [ao Ebola] e não teve que oferecer algo”, disse uma mulher de 44 anos. Os contratos de curto prazo garantiam às vítimas um salário entre US$ 50 e US$ 100 por mês – mais que o dobro do pagamento mínimo no Congo.

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Questionadas, as agências humanitárias como Cruz Vermelha e Médicos sem Fronteiras relataram que nunca receberam nenhuma denúncia sobre qualquer abuso no Congo.

As vítimas afirmaram que nunca relataram as agressões por medo de represálias ou de perder o emprego. Com poucas vagas em Beni, muitas afirmaram que o ato de sexual é uma “moeda de troca” na hora de conseguir ou não um contrato.

Questionado, o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres, afirmou que haverá uma “investigação exaustiva” a todas as denúncias de abuso no Congo. A OMS diz que “analisa as versões”.

“Não toleraríamos tal comportamento por parte de nenhum de nossos funcionários, contratados ou parceiros”, disse a porta-voz da OMS, Fadéla Chaib. A OMS enviou mais de 1,5 mil agentes para controlar o surto de Ebola no Congo, que terminou em junho após mais de 2,2 mil mortes.

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