Ásia e Pacífico

Paquistão está enriquecendo urânio em área de forte presença chinesa na Caxemira

Processo, que é vetado por leis internacionais, tem habitualmente como uma de suas finalidades a produção de armamento nuclear

O Paquistão tem trabalhado no enriquecimento de urânio na região ocupada de Gilgit-Baltistão, no norte da Caxemira. O processo, que é vetado por leis internacionais, tem como uma de suas finalidades, habitualmente, a produção de armamento nuclear, embora não esteja claro se esse é o objetivo. As informações são do portal Yahoo News.

Uma equipe de especialistas do Centro de Material de Energia Atômica (AEMC, da sigla em inglês) teria sido enviada à região para analisar o andamento do processo. Recentemente, o governo paquistanês autorizou empresas mineradoras da China a explorarem os recursos locais, entre eles ouro, urânio e molibdênio.

“Geólogos chineses e membros de uma empresa de mineração estavam no distrito de Hunza-Nagar. Eles estavam acompanhados por uma equipe de geólogos militares do Paquistão. Juntos, eles visitaram montanhas no vale de Hunza e Nagar, que são consideradas ricas em urânio e outros minerais usados ​​principalmente em tecnologia nuclear e espacial”, disse Amjad Ayub Mirza, ativista político e jornalista paquistanês.

Embarcações de ambulâncias no Lago Attabad na região do Gilgit-Baltistan, Paquistão, em julho de 2014 (Foto: WikiCommons/Jameel Ahmed)

“Essas áreas se tornaram proibidas até mesmo para o exército do Paquistão, enquanto os chineses continuam a trabalhar na construção de túneis e na exploração mineral. As mineradoras chinesas também adquiriram o arrendamento no distrito de Astore para extrair cobre de alta qualidade”, relata Mirza.

Além da questão nuclear, a ambiental também chama a atenção, segundo o jornalista “Relatos de aplicação de métodos brutos e técnicas de detonação indiscriminada estão sendo usados ​​para escavação. Isso está causando grandes danos ambientais, uma vez que perfuratrizes chinesas movidas a gasolina estão sendo usadas na superfície e no subsolo”.

Outra região onde o Paquistão tem explorado urânio é a aldeia de Dargai, região que atraiu o interesse da Comissão de Energia Atômica do Paquistão (PAEC, da sigla em inglês). O projeto prevê a perfuração de 36 poços para facilitar o enriquecimento de urânio, a fim de produzir 125 toneladas de urânio em cinco anos.

A exploração de urânio é um assunto crítico e de preocupação para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e a comunidade internacional, que não foram notificadas pelo Paquistão sobre a questão.

Por que isso importa?

Em novembro do ano passado, o primeiro-ministro paquistanês Imran Khan concedeu o status provisório de província à região de Gilgit-Baltistão, a única ligação terrestre do Paquistão com a China. A decisão irritou a Índia, que reivindica a Caxemira como seu território e classificou a ocupação da área como “ilegal e forçada”.

De maioria muçulmana, a Caxemira é disputada pelos dois países desde que Nova Délhi e Islamabad conquistaram a independência do Reino Unido e se separaram em dois países, em 1947. Desde então, Índia e Paquistão já travaram duas guerras pelo território.

Mais de 1,2 milhão de pessoas moram no local, foco do projeto de infraestrutura chinês “Corredor Econômico China-Paquistão”. O investimento previsto é de mais de US$ 65 bilhões.