América Latina é região mais perigosa do mundo para jornalistas, diz Unesco

Países latinos respondem por 31% dos homicídios de jornalistas; México é o que mais mata esses profissionais
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A América Latina lidera o índice de homicídios contra profissionais da imprensa em todo o mundo. A região continua na dianteira mesmo após queda de 14% no número de jornalistas mortos durante 2018 e 2019, em relação ao biênio anterior.

De acordo com o relatório da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), divulgado na segunda (2), a região reúne 31% de todos os ataques fatais contra jornalistas entre 2018 e 2019. Logo atrás vem Ásia e Pacífico, com 30%.

De janeiro de 2018 a dezembro de 2019, foram 156 homicídios de profissionais em todo o mundo. O México lidera o ranking: em 2019, foram 12 mortes. Em 2018, o país ficou atrás apenas do Afeganistão, com 13 assassinatos.

Mesmo com redução, América Latina tem maior índice de mortes de jornalistas
Jornalistas durante assembleia da ONU, em setembro de 2019 (Foto: Laura Jarriel/UN Photo)

Até setembro de 2020, o mundo registrou 39 assassinatos de jornalistas – 16 só na América Latina. A Ásia soma 11 casos, o Oriente Médio, sete, e a África, cinco.

Os jornalistas de rádio e televisão são os que sofrem mais perseguição, concluiu o estudo. A maioria dos homicídios ocorre quando os profissionais descobrem ou publicam informações sobre casos de corrupção, violação de direitos humanos, crimes ambientais, tráficos e crimes políticos.

Impunidade prevalece

De acordo com o estudo, nove entre cada dez ataques fatais ficaram impunes na América Latina e Caribe. Apenas 13% dos casos são resolvidos – uma pequena melhora na comparação com 2018, quando o percentual de resolução foi de 11% dos homicídios.

Também há um aumento considerável de ataques a jornalistas mulheres, principalmente através de ameaças de agressões físicas e sexuais.

O estudo também registra a redução de assassinatos de jornalistas em zonas de conflito armado. O menor número da década é de 2019, que terminou com 57 ocorrências.

“Quando os jornalistas não conseguem fazer o seu trabalho com segurança, perdemos uma importante defesa contra a desinformação que se alastrou pela internet”, alertou o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), António Guterres.

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