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Sauditas perdem para China cadeira no Conselho de Direitos Humanos da ONU

Em decisão histórica, países-membros questionaram abusos e perseguição contra jornalistas e ativistas sauditas

A votação secreta entre os 193 membros da Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), nesta terça (13), definiu a saída da Arábia Saudita do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas.

Com apenas 90 votos pela permanência, o país perdeu espaço para a China. Rússia e Cuba também ganharam espaço no bloco, informou a Associated Press. O Conselho atribui assentos conforme região geográfica.

Os sauditas ficaram atrás do Paquistão, com 169 votos; Uzbequistão, com 164; Nepal, com 150 e China, que contou com 139 apoiadores. Em 2016, os sauditas ocuparam lugar no Conselho com 152 votos.

Arábia Saudita perde cadeira no Conselho de Direitos Humanos da ONU
O plenário do Conselho de Direitos Humanos da ONU lotado durante sessão em setembro de 2015 (Foto: U.S. Mission Photo/Eric Bridiers)

A negativa em ocupar o espaço tem a ver com a frequente perseguição de dissidentes, ativistas e jornalistas como o crítico Jamal Khashoggi, morto em um consulado saudita em Istambul em 2018.

As promessas de reformas do país não são suficientes, disse Sarah Whitson, diretora executiva da organização “Democracy for the Arab World Now”, fundada por Khashoggi.

Segundo Whitson, o país ainda precisa libertar presos políticos, encerrar a guerra no Iêmen e permitir uma participação política mais efetiva. “Caso contrário, permanecerá como um pária global”, diz.

China, Rússia e Cuba

Como a votação se baseia em candidatos escolhidos por região, Rússia e Cuba não tiveram concorrentes e conquistaram um assento cada na Comissão.

No início do mês, uma coalizão de grupos de direitos humanos da Europa Estados Unidos e Canadá pediu que os países-membros da ONU barrassem a eleição desses países, assim como Arábia Saudita, Paquistão e Uzbequistão. “Os seus registros de direitos humanos o tornam desqualificados”, disseram os ativistas.

De acordo com o diretor da ONU da Human Rights Watch, Louis Charbonneau, o único motivo para a eleição de China, Cuba e Rússia foi a falta de candidatos.

“A adição desses países indignos não impedirá o conselho de lançar uma luz sobre os abusos e falar pelas vítimas. Na verdade, por estarem no Conselho, esses abusadores estarão diretamente no centro das atenções”, disse.

Quatro países africanos conquistaram os assentos da África: Costa do Marfim, Malaui, Gabão e Senegal. Rússia e Ucrânia conquistaram as duas cadeiras do Leste Europeu.

México, Cuba e Bolívia ocuparam as vagas da América Latina e Caribe, enquanto Reino Unido e França atendem o grupo da Europa Ocidental.