Ásia e Pacífico

Documentos apontam 11 países da Ásia em rede de lavagem de dinheiro

Investigações apontam que lavagem de dinheiro beneficiou grupos terroristas como a Al Qaeda, Taleban e Hezbollah

A rede global de lavagem de dinheiro em bancos de todo o mundo envolve 11 países da Ásia, revelam documentos investigados pelo ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos). Mais de US$ 2 trilhões foram encobertos em cerca de 90 instituições financeiras entre 1999 e 2017.

Em 16 meses de investigação sobre documentos confidenciais do Tesouro dos Estados Unidos, foi possível identificar que grupos terroristas como a Al Qaeda, Hezbollah e Taleban se beneficiaram com um redirecionamento em escala industrial de dinheiro sujo.

Os jornalistas identificaram redes de corrupção em bancos das Filipinas, Malásia, Japão, Taiwan, Índia, Paquistão, Sri Lanka, Coreia do Sul, Bangladesh, Nepal e Indonésia.

Documentos vazados apontam 11 países da Ásia em rede de lavagem de dinheiro
Jornal japonês Kyodo reportou transações irregulares do Comitê Olímpico de Tóquio na primeira página no dia 24 de setembro de 2020 (Foto: Instagram/sawayasuomi)

Os bancos Standard Chartered e Deutsche Bank da Índia, Singapura e Nova York movimentaram grandes somas a um dos principais financiadores de grupos terroristas do Paquistão, Altaf Khanani, disse o GEO TV.

Estima-se que Khanani e sua organização tenham movimentado até US$ 16 bilhões a cartéis de drogas e grupos terroristas como a Al Qaeda, Hezbollah e Talibã. A lavagem de dinheiro era feita por pequenas empresas com sede em Dubai e Nova Délhi.

Sistemas financeiros vulneráveis

Nas Filipinas, os relatórios apontam para falhas no sistema financeiro local. Há registro de movimentação de milhões de dólares sem qualquer verificação de nomes, beneficiários ou o propósito das tranferências.

Os criminosos destinavam os valores a bancos de Bangladesh – também vulneráveis em seus procedimentos de segurança.

As instituições financeiras também sinalizaram o Sri Lanka com um local de “alto risco” para crimes financeiros, junto dos Emirados Árabes Unidos, Índia, Chipre, Egito e Indonésia.

Na Malásia, jornalistas identificaram que bancos como o JP Morgan Chase não foram ágeis ao identificar a transação de US$ 1 bilhão para o foragido da Interpol, Jho Low. O portal Malasyakini conferiu a informação.

O financista é acusado de ser um dos mentores do escândalo envolvendo o fundo estatal 1MDB (Malaysia Development Berhad), destinado a auxílios à população malaia. Em março de 2019, denúncias deram conta do desaparecimento de bilhões de dólares no sistema financeiro global.

Documentos vazados apontam 11 países da Ásia em rede de lavagem de dinheiro
O foragido da Interpol, Jho Low, em uma visita ao Hospital Nacional da Criança, em Washington, em fevereiro de 2015 (Foto: Jynwel Foundation)

Em Taiwan, os documentos vazados apontam para deliberada omissão dos bancos locais a transações de criptomoedas. A empresa responsável é acusada de manipulação do mercado.

Corrupção no esporte

No Japão, o Comitê Olímpico de Tóquio – próximo anfitrião das Olimpíadas, originalmente agendadas para 2020 – transferiu US$ 370 mil ao filho de um dos membros do Comitê Olímpico Internacional, reportaram os portais Asahi e Kyodo News.

A quantia foi parar na conta bancária de uma empresa de consultoria de Singapura. A organização estava entre os responsáveis por auxiliar a capital japonesa a receber os jogos neste ano.

Na Índia, empresas de fachada transferiram mais de US$ 14,4 milhões para o conglomerado Adani, um dos mais poderosos do país. Na liga profissional de críquete indiana, os documentos dão conta de uma fraude de US$ 3 milhões em lucro.